segunda-feira, 12 de julho de 2010

OLÉ!

Como previu Paul, o polvo, a Espanha foi campeã mundial pela primeira vez. Tá de parabéns! A Holanda não viu a cor da bola, se irritou com a troca de passes da fúria e só não tomou uma goleada: a) pela complacência do juizão que não quis expulsar ninguém antes da prorrogação; b) pela falta de frieza dos atacantes espanhóis.
Essa imagem retrata bem o que foi o jogo, truculência da holanda contra o domínio espanhol da posse de bola e das ações.
A fúria jogou no seu tradicional 4-4-2, com Villa plantado na frente e Pedrito caindo pelos lados, Capdevilla e Sergio Ramos tinham liberdade para ultrapassar, Xavi jogou demais sempre com passes precisos, Iniesta nem se fala.
A Holanda por sua vez, longe de ser um carrosel, jogou, a bem da verdade, num 4-5-1, sendo que Van Persie se revezava com Robben no ataque. Alguém pode dizer "Não! A Holanda jogou no 4-3-3, ofensivamente!". Está errado. Toda vez que a Espanha tinha a bola (maior parte do tempo) dava pra se divisar claramente a linha de 5 no meio e a linha de 4 na defesa.
Mesmo nessa retranca a Holanda não segurava os ataques espanhóis. Usou violência enquanto dava, até que todos os jogadores de defesa (sem exceção) tomaram o amarelo e não mais puderam bater.
Ai entrou Fábregas, com visão de jogo e técnica, a prorrogação mal começada já mostrava que o time holandês não passava de um touro domado. Os espanhóis fintavam-no de um lado pro outro, com classe. O público grita "Olé!". O toureiro levou umas chifradas, é verdade, mas o touro não era páreo para ele. Tinha as melhores armas, o golpe fatal foi na prorrogação, apenas um. Suficiente para desmoronar toda a potência física do animal. Adiós Holanda! E já vai tarde!

P.S. Discutindo futebol em mesa de bar todo mundo atribuía a culpa da eliminação do Brasil ao técnico. Eu discordo, o Brasil em 4 anos perdeu 6 jogos. É um excelente número, mesmo pra seleção. Os times brasileiro e holandês quase se equivaliam em qualidade, atribuo uma pequena vantagem para o Brasil. Disseram que caso Ronaldinho e Ganso estivessem lá o Brasil ganharia. Discordo! Ronaldinho estava em 2006 e não salvou o Brasil. Ganso perdeu pra Gana (GANA!!!) no mundial sub-20. A graça do futebol é essa imprevisibilidade, que gera discussões, num jogo tudo pode acontecer. A Holanda bateu o Japão com sorte, Ganhou da Eslováquia no sufoco, do Brasil com sorte e competência (mais sorte) e do Uruguau com sorte e gol "roubado". Não é um time ruim, mas que deu uma sorte da desgraça isso deu! Dunga é ser humano e comete erros, mas a culpa não foi dele, o Brasil simplesmente não conseguiu ganhar por circunstâncias do jogo, jogou melhor e criou mais chances. Se Brasil e Holanda jogarem 10 vezes o Brasil ganha 7, empata 2 e perde 1. Pena que esse 1 foi na copa...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

BlitzKrieg

A arma de guerra mais conhecida da Alemanha é o Panzer. O Tanque alemão da Segunda Guerra. Sua eficiência era devastadora, não porque era o melhor veículo blindado da época (França e União Soviética tinham tanques melhores), mas porque seus ataques relâmpagos, chamados de Blitzkrieg, eram combinados com a infantaria e apoio aéreo.
Os passos para vencer eram i) atacar diretamente a as linhas inimigas; ii) penetrar as linhas inimigas e iii) circular e aniquilar as linhas inimigas.
Funcionou bem, em poucos meses os nazistas tomaram quase toda a Europa.
A seleção alemã dessa copa parece que faz o mesmo, atropelou defesas adversárias sem tomar o menor conhecimento, primeiro Austrália (4x0), Inglaterra (4x1) e Argentina (4x0).
O time alemão não tem os melhores blindados da copa (Schweinsteiger é um belo de um Panzer IV), nem a melhor aeronáutica, nem a melhor infantaria e nem a melhor artilharia. Tem a melhor tática de guerra. Evoluída ainda por cima.
O time germânico se caracterizou, nessa copa (nos seus melhores jogos) pela pressão inicial em fazer o gol, visando penetrar nas defesas adversárias, após isso, tendo conquistado as melhores posições no terreno (abrindo o score), se fechava e varria os adversários com um contra-ataque mortal, aniquilando as possibilidades de retomada do campo. Das cinco batalhas disputadas, a tática funcionou em três. Gana perdeu porque não tinha melhores tanques, sérvia resisitiu à invasão com seus partizans e ganharam a batalha.
A evolução alemã se caracteriza pela sua forte defesa, impenetrável (apenas dois gols sofridos na copa), e pela sua bem definida estratégia de jogo, inteligentemente concatenada pelo seu treinador "comedor de caquinha".
A Espanha tem um exército mais qualificado e, em condições normais de temperatura e pressão, deveria ganhar o jogo. No entanto, a Fúria terá que resistir à Blitzkrieg inicial, não pode deixar a rápida infantaria alemã penetrar nas suas linhas, tem que se prevenir contra os ataques aéreos destruindo suas bases (evitar os cruzamentos) e estar atento aos veteranos de guerra, sobretudo Klose. Ah! Óbvio! Não pode tomar o gol no início do jogo!
Acho que a Alemanha, sem o gol no começo, é um time normal, que jogará, quando muito, apenas de igual para igual com seu adversário. O problema é sua Blitzkrieg, mas Espanha sabe disso e deve estar preparada...
O resultado é imprevisível, a única certeza que tenho é que será uma batalha épica.

terça-feira, 6 de julho de 2010

TALENTO x RAÇA

Suárez é o artilheiro do Uruguai na copa. Foi ele quem meteu a mão na bola no final da prorrogação para evitar um gol certo de Gana, que tiraria o Uruguai da copa.
Sem nem pensar duas vezes, sem egoísmo, entregou sua eventual participação na semi-final pelo grupo, pela seleção, pelo seu país.
Esse é o espírito de abnegação que leva o Uruguai à frente nessa copa. É o espírito que sempre levou o Uruguai adiante em sua história no futebol. Claro que o destino sorriu para a celeste, assim como o sol sorri em sua bandeira. Gyan chutou a Jabulani no travessão.
Mais do que tática, técnica, mais do que eficiência, frieza, essa seleção uruguaia vai na raça, no peito, com emoção, entrega total, como se o jogo fosse o último de suas vidas.
Ao contrário do que se vê no futebol atualmente, no qual se pede um jogo frio, morno, de posse de bola, que se decide nas bolas paradas (quando se decide), a celeste ataca com o coração, o jogo ferve o tempo todo, marcação forte e ataque que ganha jardas por meio da disputa física, do ombro à ombro, do encontrão e, quando possível, um lampejo da boa técnica sulamericana.
A Holanda, por sua vez, é um time que, aparentemente, não se abala com nada, é frio e calculista, faz o resultado necessário para ganhar e espera pelos erros adversários. Tem jogadores mais talentosos como Robben, Sneijder e Van Persie.
Em tese, a técnica Holandesa deveria destruir o Uruguai, até porque este se encontra desfalcado de seus melhores jogadores (Suárez e Lugano).
Uma aposta óbvia seria a Holanda, que provavelmente irá passar. Mas o Uruguai é um time valente e não vai se entregar sem lutar até a última força.
Se o sorriso do destino iluminar a celeste novamente, poderemos constatar hoje que um jogo de futebol pode ser sim vencido na raça.
Essa é minha torcida.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Clockwork Orange


Como foi falado anteriormente a Holanda não podia atacar o Brasil de forma louca como fez o Chile.
No primeiro tempo restou acossada em seu próprio campo, sem levar qualquer perigo à meta de Júlio Cesar, suportando a pressão da melhor forma que conseguia.
Tomou um gol logo cedo no jogo e passou a sofrer da síndrome do primeiro gol sofrido. Como também dito anteriormente, quem toma um gol nas fases decisivas da copa geralmente se perde e se desorganiza em campo o que acarreta, geralmente, que o time tome outro gol.
O Brasil teve oportunidades e acertadamente continuou a pressionar até o final do primeiro tempo, a Holanda perdidinha em campo.
Mas não matamos o psicopata. Isso é imperdoável, futebol que é um jogo e não um ato de justiça (assim como é a vida) nos reservou a falta de sorte (grandíssima) de o melhor goleiro do mundo errar numa saída de bola aleatoriamente cruzada na área.
A síndrome do primeiro gol, então, foi sentida pelo Brasil, só que a Holanda, tal qual o psicopata do filme "Laranja Mecânica", matou, sem dó nem piedade, enquanto o time canarinho estava zonzo.
Analisando friamente o jogo a Holanda não levou nenhum perigo mais ao gol defendido por Júlio César, o Brasil, depois do golpe fatal, apenas agonizou por uns minutos, sangrando um sangue vermelho da cor do cartão do árbitro japonês.
Enfim, isso é futebol. Um jogo imprevisível, no qual nem sempre o melhor vence, mas no qual o mais competente e o mais psicopata tende a ganhar. A lição que fica é a mesma de sempre: Mate seu adversário enquanto ele ainda estiver no chão.

P.s. Via de regra a análise que se faz aqui é mais tática do que emocional ou fática. Mas na copa, pouco importa a tática (tudo vira uma bagunça a partir dos 25 do segundo), o que importa é ter frieza, cálculo e eficiência, sobretudo nas fases decisivas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

LOUCURAS

El Loco Bielsa mais uma vez demonstrou que não é um cara sensato. Seu laudo psicológico restou estampado no placar. Incontestável vitória de um time superior em todos os aspectos.
O Chile foi pra cima do Brasil com 4 atacantes. Sempre que alguém faz isso contra o Brasil de Dunga sai goleado...
Mas, diante dos jogadores que tem o Chile, o que Marcelo poderia fazer?
Não sei...problema dele, ossos do ofício.
Às vezes no futebol o melhor time, com os melhores jogadores, acaba, inevitavelmente, vencendo o jogo.
O Brasil fez tudo conforme o figurino: Estudou o adversário com cautela nos primeiros minutos, acertou a marcação e depois disso um jogador olhou pro outro e disse: Vamo nessa?
O Brasil foi, pressionou, várias jogadas pelos lados, chutes de longa distância, bolas alçadas na área, um time consciente da sua superioridade que atuava com segurança, com a segurança de quem sabia que a vitória estava a um passo.
Juan subiu mais alto do que todo mundo e assinou a guia de internação do "El Loco".
Como se não bastassem suas atuações irretocáveis (inclusive com aquele bloqueio no jogo de Portugal) o rapaz ainda me resolve a parada fazendo gol. É o camisa 10 da seleção, como dizem por aí.
O Chile se perdeu e decidiu atacar de vez, tomando outro gol numa jogada manjada, Robinho vai pela ponta, atrai a marcação, toca pra Kaka que deixa Fabuloso só com o goleiro. Simples assim.
Depois foi só administrar...
Notas interessantes: o Brasil mesmo contra 4 atacantes não precisou de Felipe Melo. Mas Ramirez tomou o amarelo e nao joga contra a Holanda...Nem vou entrar no mérito se Dunga deveria ter ou não tirado o meio-campo do Benfica, quando o jogador toma cartão num lance bobo, num jogo definido a culpa é dele.
Contra a Holanda tenho dois cenários possíveis:
a) Se a Holanda vier pra cima do Brasil toma uma goleada;
b) A Holanda jogará fechadinha e fará um jogo equilibrado, caso não erre, poderá, contando com um erro nosso, ganhar o jogo com um placar apertado e desde que a sorte esteja a seu lado.
Infelizmente jogar com o Brasil é uma coisa complicada. Infelizmente pra eles...

TORDESILHAS EM TERRITÓRIO AFRICANO

Espanha e Portugal protagonizaram um duelo até interessante pelas oitavas da copa do mundo de 2010, fizeram um tratado no qual foi traçada uma linha que não poderia ser ultrapassada pelo adversário.
Portugal respeitou. A Espanha não.
O que caracteriza essa copa do mundo diante do que se observa das atuações das seleções é muito, muito medo de perder. Portugal jogou contra o Brasil no 4-5-1, com três zagueiros (zagueiros-zagueiros), três volantes e um atacante que ficava se olhando no telão o tempo todo e, ainda assim, levou algum perigo à meta de Julio Cesar.
Como o Brasil não quis arriscar o primeiro posto do grupo, preferiu não atacar, o que me parece sensato.
Já contra a Espanha, Portugal tentou colocar as manguinhas (ou bigodes) de fora. Não deu certo. A fúria conseguia que dois de seus meias (Xavi e Iniesta) conseguissem jogar entre os volantes e a zaga, atraindo a marcação e facilitando o jogo dos atacantes (sobretudo Villa) que estavam nas pontas buscando algum espaço. Logo nos primeiros 15 minutos se percebeu que os gajos não tinham força suficiente para passar às oitavas.
Mesmo com um jejum de gols gigantesco de Torres, a Espanha (ainda traumatizada pela derrota contra a Suíça) teve um volume gigantesco de jogo e muito mais posse de bola. Criou mais chances e fez um gol irregular que valeu (no momento do lance eu suscitei a posição de impedimento, só fiquei com dúvida depois dos replays, acho que essa deveria ter sido a sensação do bandeira).
Vale salientar que essa copa tem se caracterizado, sobretudo nas oitavas, pelo fator psicológico, é comum um time que acaba de tomar um gol tomar outro logo em seguida, ou passar sustos sucessivos (vide Brasil e Chile, Argentina e México, Alemanha e Inglaterra). Isso tem valido mais do que tática e estratégia. Portugal depois que tomou o gol parecia um amontoado de donos de padaria numa convenção sobre engenharia de perfuração em grandes profundidades. Perdidinhos. Depois ainda fizeram alguma pressão.
Destaca-se, também, o goleiro Eduardo que fez tantas defesas que, suplicando por uma melhor atuação de seus zagueiros, quase chorou no decorrer da partida. Depois do apito final as lágrimas vieram.
Independentemente disso a Espanha mereceu ganhar.
Acho que o técnico de Portugal escalou mal seu time, desde antes da copa, passava sufoco pra ganhar de Bósnia, Albânia ou coisa parecida. Tem excelentes jogadores, mas não tem um time e a culpa disso só pode ser do técnico Carlos Queiroz. Se você tem bons jogadores e não consegue montar um time decente, a culpa é de quem os comanda, inevitavelmente. Não estou dizendo que ele é incompetente, mas nessa copa o time português passou foi vergonha.
Fiquei com ojeriza do time português por conta da violência, que é uma marca registrada de seus zagueiros. No bolão eu apostei que Portugal chegaria à final, achei que a Espanha amarelaria novamente.
No Paraguai tem zebra? Acho que nem no zoológico...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Palmeiras e Grêmio

O grêmio jogou como sempre joga, mal passa do meio-campo, mas quando passa causa aquele alvoroço nas defesas adversárias, joga com extrema velocidade e verticalidade, me lembra o São Paulo de Telê na década de 90. O palmeiras demonstrou como depende do D. Souza e do Kleber, o setor de meio-campo não tem a menor criatividade sem o D. Souza, que muitas vezes leva o time na raça, e do atacante que segura a bola e os zagueiros na defesa, facilita demais a vida do Alex Mineiro.
No que diz respeito à formação dos times, eu sempre gostei muito do 3-5-2, que tanto o grêmio quanto o palmeiras jogam normalmente, (lembrar do Martinez). O jogo com três zagueiros, dependendo da postura do time, é muito seguro na defesa, sempre vai haver um na sobra, e o técnico não irá precisar ficar gritando pro lateral direito voltar quando o lateral esquerdo subir, vai gritar: "agora vira o jogo, o seis tá livre!".
É bom frisar que não adianta jogar com três zagueiros se um único zagueiro for de nível ruim, toda a defesa é prejudicada, basta uma simples rachadura para a destruição de uma represa. Assim, o 3-5-2, quando aplicado por um técnico que faz um planejamento, contrata um plantel equilibrado, pensando nas contusões e suspensões, é, na minha opinião, o melhor esquema do futebol atual, mas precisa ser treinado. Na realidade e gosto mesmo é de um 3-4-3 ou 4-3-3, bem ofensivo, inclusive com dois meias ofensivos, mas eu teria que ter os melhores jogadores do campeonato para ter alguma chance.
Esse tipo de formação, também adotada pelo Flamengo, induz o jogo pelas laterais, as jogadas de linha de fundo, que são as mais perigosas. E se o adversário sabe disso, enche os flancos com defensores e dá maior chance, por outro lado, à ocorrência de uma tabela que deixará o meia que veio de trás na cara do gol. Se o time tiver inteligência não há retranca que aguente.
O meu galo venceu o vitória no barradão, pelo que vi nos melhores momentos, foi uma vitória justa, mas não vou fazer comentários táticos de um jogo que não assisti.