quinta-feira, 1 de julho de 2010

TORDESILHAS EM TERRITÓRIO AFRICANO

Espanha e Portugal protagonizaram um duelo até interessante pelas oitavas da copa do mundo de 2010, fizeram um tratado no qual foi traçada uma linha que não poderia ser ultrapassada pelo adversário.
Portugal respeitou. A Espanha não.
O que caracteriza essa copa do mundo diante do que se observa das atuações das seleções é muito, muito medo de perder. Portugal jogou contra o Brasil no 4-5-1, com três zagueiros (zagueiros-zagueiros), três volantes e um atacante que ficava se olhando no telão o tempo todo e, ainda assim, levou algum perigo à meta de Julio Cesar.
Como o Brasil não quis arriscar o primeiro posto do grupo, preferiu não atacar, o que me parece sensato.
Já contra a Espanha, Portugal tentou colocar as manguinhas (ou bigodes) de fora. Não deu certo. A fúria conseguia que dois de seus meias (Xavi e Iniesta) conseguissem jogar entre os volantes e a zaga, atraindo a marcação e facilitando o jogo dos atacantes (sobretudo Villa) que estavam nas pontas buscando algum espaço. Logo nos primeiros 15 minutos se percebeu que os gajos não tinham força suficiente para passar às oitavas.
Mesmo com um jejum de gols gigantesco de Torres, a Espanha (ainda traumatizada pela derrota contra a Suíça) teve um volume gigantesco de jogo e muito mais posse de bola. Criou mais chances e fez um gol irregular que valeu (no momento do lance eu suscitei a posição de impedimento, só fiquei com dúvida depois dos replays, acho que essa deveria ter sido a sensação do bandeira).
Vale salientar que essa copa tem se caracterizado, sobretudo nas oitavas, pelo fator psicológico, é comum um time que acaba de tomar um gol tomar outro logo em seguida, ou passar sustos sucessivos (vide Brasil e Chile, Argentina e México, Alemanha e Inglaterra). Isso tem valido mais do que tática e estratégia. Portugal depois que tomou o gol parecia um amontoado de donos de padaria numa convenção sobre engenharia de perfuração em grandes profundidades. Perdidinhos. Depois ainda fizeram alguma pressão.
Destaca-se, também, o goleiro Eduardo que fez tantas defesas que, suplicando por uma melhor atuação de seus zagueiros, quase chorou no decorrer da partida. Depois do apito final as lágrimas vieram.
Independentemente disso a Espanha mereceu ganhar.
Acho que o técnico de Portugal escalou mal seu time, desde antes da copa, passava sufoco pra ganhar de Bósnia, Albânia ou coisa parecida. Tem excelentes jogadores, mas não tem um time e a culpa disso só pode ser do técnico Carlos Queiroz. Se você tem bons jogadores e não consegue montar um time decente, a culpa é de quem os comanda, inevitavelmente. Não estou dizendo que ele é incompetente, mas nessa copa o time português passou foi vergonha.
Fiquei com ojeriza do time português por conta da violência, que é uma marca registrada de seus zagueiros. No bolão eu apostei que Portugal chegaria à final, achei que a Espanha amarelaria novamente.
No Paraguai tem zebra? Acho que nem no zoológico...

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